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Destaques, Notícias gerais › 25/07/2016

A globalização do século XXI a partir da Evangelii Gaudium

Fr. Rarden Luis,scj

Somos uma Igreja viva, que deve anunciar com alegria o Evangelho, que é o próprio Cristo Palavra, Verbo que se fez carne. (cf. Jo 1,1-18). A Igreja Católica Apostólica Romana é caracterizada não pelo tempo quaresmal, mas sim pelo riquíssimo tempo pascal, isto é, parafraseando o Papa Francisco em sua primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, há cristãos que vivem uma quaresma plena deixando de ressuscitar com Jesus Cristo. (cf. EG 6). A alegria de ser um anunciador do Evangelho não está alicerçada somente num sorriso exterior, mas na certeza e no testemunho de ser um cristão no mundo, de ser identificado com o Cristo.

A Igreja é chamada a ser uma “mãe de coração aberto”, que acolhe suas ovelhas, que cuida de seu rebanho, afinal a religião não pode se tornar um peso na vida de seus seguidores, mas deve dar leveza para que o cristão se coloque no seguimento. O Papa Francisco nos anima a estudar os “sinais do tempo e seus desafios atuais”, entre eles, sociais, culturais e econômicos. Em meio às “famosas crises” do mundo de hoje, é preciso esforçar-nos por uma espiritualidade missionária que considera o outro como pessoa humana, isto é, filho muito amado do Pai, afinal recuperemos e valorizemos os compromissos com o próximo, pois nele está a presença do próprio Cristo, que também assumiu na cruz os problemas de toda a humanidade. Cada um de nós é convocado pelo Papa Francisco a resgatar a dignidade de nossa própria criação, ou seja, fomos criados a imagem e semelhança de Nosso Pai. Dessa maneira, não podemos deixar-nos influenciar pelo caráter individualista e solitário que hoje norteia as relações, inserindo o ser humano num vazio indiferente e alheio ao próximo. Enfim, o Papa nos exorta a descobrirmos a mística de vivermos juntos, em comunidade. (cf. EG 87).

Os principais aspectos que caracterizam o século XXI é o impacto do progresso científico e tecnológico que, desencadeado a partir dos finais dos séculos XIX e XX, provocou alterações radicais na vida política, econômica, social, cultural e eclesial do mundo inteiro. Devido a este desenfreado progresso, surgiu a globalização, caracterizada pela evolução da tecnologia, das comunicações, dos meios de transportes, dos sistemas de informação e do avanço da pesquisa científica. Porém, afirma Vattimo: “[…] o ideal do progresso é vazio, seu valor final é o de realizar condições em que sempre seja possível um novo progresso”.

O Papa Francisco já nos exortou várias vezes para apurarmos nossa atenção para essa globalização, que ele denominou na sua Mensagem para a Quaresma do ano de 2015, como a “globalização da indiferença”. A globalização se difundiu no mundo do século XXI de tal forma desenfreada, que o seu controle fugiu das mãos do ser humano. Principalmente, o avanço dos sistemas de informação, no qual as notícias podem ser acessadas pelo ser humano através do mundo virtual em tempo real. O que também influenciou os relacionamentos interpessoais familiares, eclesiais e sociais. O avanço, a produção rápida marca a globalização dessa indiferença do século XXI. A globalização marca um novo tempo histórico, uma nova situação socioeconômica, político-cultural e ideológico-religiosa, que assinala o momento atual da história.

O nascimento desta “nova cultura” contemporânea é marcado por uma série de mudanças. Há um conjunto de valores que o ser humano acreditava, e agora foram esquecidos, para o advento de novos. Os valores a serem ensinados aos jovens que parecem não ser mais possível da mesma forma como se dava “antigamente”, os rumos da política depois da queda dos regimes socialistas, a perda de confiança na capacidade da ciência de construir um mundo melhor para todos, frente às ameaças ecológicas e à permanência da desigualdade social, os desmascaramentos da nossa visão de mundo como imposições de uma cultura dominante sobre outras que não puderam se expressar nas mesmas condições, tudo parece nos remeter a uma espécie de dissolução do que julgávamos até então como sendo, simplesmente, “a realidade”.

Assim, se faz necessário termos um renovado ardor missionário impulsionado pelo Espírito Santo. (cf. EG 259). “Uma evangelização com espírito é muito diferente de um conjunto de tarefas vividas como uma obrigação pesada, que quase não se tolera ou se suporta como algo que contradiz as nossas próprias inclinações e desejos”. (EG 261). Nós, Igreja viva e ardente tem a “missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar”. (EG 274). O Sumo Pontífice exorta-nos acerca do exemplo de Maria, como a Mãe da evangelização. Pela intercessão de Nossa Senhora, apresentada como Mãe da humanidade radicada aos pés da cruz, o Papa pede que tenhamos um estilo mariano na atividade evangelizadora.

O Sumo Pontífice chama a nossa atenção para a adesão de fé necessária no processo de mudança da sociedade, baseada na alegria da evangelização, no anúncio do Cristo-Palavra. Ele vai trançando algumas setas necessárias a serem revistas pelos evangelizadores, no processo de resgate da dignidade do ser humano, para que possam, ao longo da vivência do próprio Evangelho, apontar para Aquele que é o fundamento de tudo, Aquele que é a verdadeira meta da evangelização, Jesus Cristo. “Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda a ação evangelizadora autêntica é sempre ‘nova’”. (EG 11).

Nesta perspectiva, sabemos que o Pai é a fonte de toda ação evangelizadora, Jesus é quem realiza a ação evangelizadora da Igreja, Ele é o objeto da evangelização e vai à frente, o Espírito Santo é a dinamicidade que nos impulsiona e nos dá as forças necessárias para permanecermos no caminho da evangelização. Não obstante a adesão de cada ser humano, que por uma crença a mensagem de Cristo, prega em todas as culturas os valores por Ele instaurados. Assim, o próprio agir de Cristo pela sua Igreja penetra o coração do mundo e o transforma, o que possibilita a uma escatologia terrena, isto é, participar já aqui na terra, as coisas reservadas para o alto.

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