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D. Murilo Krieger: “Presença da Igreja na Amazônia é uma graça”

Cidade do Vaticano

“A Mãe de Deus é imagem da Igreja e dela queremos aprender a ser igreja com rosto mestiço, com rosto indígena, afro-americano, rosto de camponês, rosto cola, ala, cacaxtle. Rosto pobre, de desempregado, de menino e menina, idoso e jovem, para que ninguém se sinta estéril nem infecundo; para que ninguém se sinta envergonhado ou pouca coisa”.

O encorajamento do Papa

As palavras do Papa na homilia proferida na festividade de Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro de 2017, na Basílica Vaticana, conduzem nossos olhos e corações mais uma vez diretamente à nossa realidade. Francisco se confirma como um pastor latino-americano chegado ao povo, preocupado com excluídos e descartados e com a defesa de suas terras. Disposto a convocar um Sínodo para analisar a ação da Igreja nesta região por tantos séculos abandonada e usurpada pelos mais ricos. Por que a Amazônia merece um Sínodo? Quem responde é o primaz do Brasil, arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger.

Um grito profético na Assembleia dos Bispos

“Lembro-me que uma vez na Assembleia dos Bispos, ainda em Itaici, um dos bispos da Amazônia disse que era preciso que a Igreja do Brasil voltasse seu olhar para a Amazônia. Na maioria, os missionários e por isso, os bispos de lá, eram estrangeiros. A partir daquele grito profético começamos a nos preocupar mais, a ponto de hoje haver uma Comissão dentro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para a Amazônia.

Amazônia, realidade desconhecida

“Temos nos deparado com uma realidade que temos que reconhecer, humildemente, nós não conhecíamos. Agora, com a ideia do Papa do Sínodo Pan-amazônico, é o mundo que vai voltar o olhar para ela. Porque as pessoas interessadas em explorar, já tinham o olhar voltado para ela há muito tempo… Mas a Igreja está presente desde o início, e como o Papa lembrou na JMJ do Rio de Janeiro, aos bispos do Brasil, a graça é que a presença da Igreja nunca foi para explorar, como alguém que está de passagem para se enriquecer e ir embora. Ao contrário, a Igreja foi para levar o Evangelho. Mas temos que reconhecer que é ainda uma presença humilde diante das muitas necessidades daquela região”.

Clero local que leve adiante as propostas

“A Igreja ajuda e deve ajudar aquele povo a descobrir suas potencialidades e coloca-lás em uso. Durante muito tempo, se pensou na Amazônia como um lugar para o envio de missionários; aos poucos, no Brasil, fomos mudando e hoje a ideia que perpassa é de apoiarmos os Seminários locais, enviando professores, para que eles possam amanhã ter condições de dirigi-los e levar adiante suas propostas”

“Não se trata tanto de mandar catequistas para catequisar aquele povo, mas ajudar a formar catequistas de lá, para que eles sejam os evangelizadores da Amazônia. Portanto a nossa função não é substitui-los e nem ir lá para ficar permanentemente, mas ajuda-los a crescer como outros nos ajudaram a crescer no passado”.

(from Vatican Radio)

 

Fonte: Site Vaticano – http://www.news.va/pt/news/d-murilo-krieger-presenca-da-igreja-na-amazonia-e

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