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O Sofrimento Humano

Fr. Rarden Luis,scj

A pergunta sobre o sentido do sofrimento é profundamente humana: expressa o desejo, a exigência de conhecer as razões, a finalidade dessa experiência imposta pela vida.

São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Salvifici Doloris, afirma ser o sofrimento “algo essencial à natureza humana. […] parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, ‘destinado’ a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a fazê-lo”. A natureza humana por ser um composto de corpo e alma não sofre apenas dores físicas, mas, sobretudo dores morais.

“Na Cruz de Cristo não somente se cumpriu a Redenção mediante o sofrimento, mas também o sofrimento humano foi redimido”. João Paulo II medita sobre o mistério da dor partindo da pergunta que se faz todo ser humano: por que o mal? E imediatamente ressalta que toda e qualquer explicação se mostra insuficiente e inadequada.

“O homem, em seu sofrimento – escreve – permanece um mistério intangível”. Mas “Cristo nos faz entrar no mistério e nos faz descobrir o porquê do sofrimento” respondendo a partir da Cruz. Todavia, por vezes é preciso “um longo tempo para que essa resposta comece a ser perceptível.

“O campo do sofrimento humano é muito mais vasto, muito mais diversificado e mais pluridimensional. O homem sofre de diversas maneiras, que nem sempre são consideradas pela medicina, nem sequer pelos seus ramos mais avançados. O sofrimento é algo mais amplo e mais complexo do que a doença e, ao mesmo tempo, algo mais profundamente enraizado na própria humanidade. É-nos dada certa ideia quanto a este problema pela distinção entre sofrimento físico e sofrimento moral. Esta distinção toma como fundamento a dupla dimensão do ser humano e indica o elemento corporal e espiritual como o imediato ou direto sujeito do sofrimento. Ainda que se possam usar, até certo ponto, como sinônimas as palavras sofrimento e dor, o sofrimento físico dá-se quando, seja de que modo for, dói o corpo; enquanto que o sofrimento moral é dor da alma. Trata-se, de fato, da dor de tipo espiritual e não apenas da dimensão psíquica da dor, que anda sempre junta tanto com o sofrimento moral, como com o sofrimento físico. A amplidão do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas não são menores do que as do sofrimento físico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais difícil de identificar e de ser atingido pela terapia”.

Para Vitor Frankl o sofrimento é uma oportunidade para a pessoa se perguntar e descobrir um sentido para existência (inclusive, em muitos casos a última) e encontrar o valor de sua vida, assumir o valor único e irrepetível que ela carrega. Para tanto é necessário que a pessoa não considere “a vida” ou o sofrimento vagamente, mas encare a sua vida, a sua dor, não se subtraindo aos convites e às perguntas que lhe são colocadas nessa situação. “Cada pessoa é questionada pela vida; e ela somente pode responder à vida, respondendo por sua própria vida; à vida ela somente pode responder sendo responsável. Assim, a logoterapia vê na responsabilidade a essência propriamente dita da existência humana.”

Segundo o Papa João Paulo II, apesar de o sofrimento ser algo quase inefável e não comunicável a partir dele são colocadas questões de fundo “a pergunta acerca da causa, da razão – por quê? – ou da finalidade – para quê? – acompanha o sofrimento e determina o seu conteúdo, faz com que o sofrimento seja propriamente humano.” Colocar essas questões a si mesmo, às outras pessoas e, mesmo a Deus é tão importante, tão necessário quanto difícil e dramático. Geram muitas vezes conflitos, frustrações. Porém, diz o papa, “o homem pode dirigir tal pergunta a Deus com toda a comoção do seu coração e com a mente cheia de assombro e de inquietude; e Deus espera por essa pergunta e escuta-a”. O papa lembra a dramaticidade de tantos sofrimentos sem culpa: nessa circunstância particular, mais do que em qualquer outra, a pergunta sobre o sentido do sofrimento surge com intensidade e dever ser tratada com acuidade: tanto a pergunta como as possíveis respostas a ela.

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